Revolução do Alto

Uma característica geral destes últimos tempos é a urgência, a pressão e a acção de ruptura exercida a partir do baixo, e em função do baixo, sobre as estruturas existentes: o que corresponde ao único significado próprio e legítimo do termo "subversão".

Esta situação tem como pressuposto óbvio a crise do conjunto das estruturas em causa: quer sejam estruturas político-sociais ou culturais e intelectuais. Assim ela é acompanhada por um processo contra o mundo moderno, a sociedade burguesa e o capitalismo, contra uma ordem que se limita a ser uma desordem exteriormente contida, contra formas de existência que perderam todo o significado superior, desumanizantes, criadoras - para usar um termo abusado - de "alienação".

A revolta contra todos estes aspectos de uma civilização problemática pode ser legítima.
Mas aquilo que caracteriza estes últimos tempos é a carência de toda a acção rectificadora, libertadora ou restauradora do alto: é o facto de se permitir que a iniciativa e a acção, frequentemente necessária, de ruptura, ocorram precisamente a partir do baixo: do baixo, entendido quer como referência a estratos sociais inferiores, quer a valores inferiores. Assim a consequência quase inevitável é o deslocar do centro de gravidade para um nível que está ainda mais baixo do que aquele das estruturas entradas em crise e que perderam todo o seu conteúdo vital.

No campo político-social, o fenómeno apresenta formas tão precisas que é quase supérfluo perder tempo com elas. Ninguém é tão míope ao ponto de, por esta altura, não entender exactamente o que se pretende com, por exemplo, a famosa "justiça social". Ela não é de modo algum a verdadeira justiça, a justiça distributiva do suum cuique, baseada num princípio de desigualdade e já defendida pelos clássicos, como por exemplo Aristóteles ou Cícero. É pelo contrário uma pseudo-justiça tendenciosa, exclusivamente ao serviço dos interesses das classes mais baixas, dos chamados "trabalhadores", em prejuízo dos outros, em nome de mitos que servem apenas para abrir gradualmente o caminho à tomada do Estado pelas forças de esquerda.

Contra esta acção - agora muito bem organizada e quase sem oposição que parte do baixo, e que se liga à mistificação de que só nas classes baixas se pode encontrar o homem natural, são, generoso, etc. e que portanto o fim último do movimento subversivo seria também um novo e efectivo "humanismo" - contra tal acção não existe quase ninguém capaz de reagir com energia. E o princípio da reacção deveria ser este: pode-se denunciar os erros, os defeitos e as degenerescências de um sistema, pode-se ser, por exemplo, decididamente contra a burguesia e contra o capitalismo, mas partindo de um plano que lhes é superior e não inferior, não em nome dos valores "proletários", ditos "sociais" ou colectivistas, mas sim de valores aristocráticos, qualitativos e espirituais: valores que podem dar lugar a uma acção rectificadora até mais radical, desde que se encontrem homens verdadeiramente à sua altura, munidos de suficiente autoridade e poder, de modo a prevenir ou suprimir com uma revolução do alto qualquer veleidade ou princípio de revolução do baixo.

Mas, infelizmente, é cada vez mais claro o quão distantes estão perspectivas deste género dos horizontes intelectuais dos nossos contemporâneos. Pelo contrário podemos constatar como também aqueles que presumem combater contra a "desordem estabelecida" do mundo moderno movendo justas (mas por esta altura óbvias e quase adquiridas) acusações contra a sociedade actual e propondo apenas os valores da personalidade e do cristianismo, não escondem as suas simpatias electivas pelo baixo, pelas "reivindicações" do baixo e pelo pseudo-humanismo de esquerda, mostrando igual intolerância e incompreensão por qualquer solução possível no quadro de um sistema baseado num princípio de autoridade e soberania, de verdadeira ordem e de verdadeira justiça. Como exemplos típicos pode-se indicar Maritain e Mounier, mas também um tradicionalista como L. Ziegler.

É bastante interessante reconhecer a precisa solidariedade desta orientação com outras constatáveis em domínios propriamente culturais. O chamado "neo-realismo" e outras tendências semelhantes não se podem talvez caracterizar por apresentarem abusivamente como "real" apenas os aspectos mais baixos, miseráveis, equívocos e frequentemente até obscenos e vulgares da existência?
Enquanto tudo o resto não teria nada a ver com o que é autêntico, sincero e "real"?

Um caso ainda mais significativo, que indica o vasto raio de acção da difusão da tendência em questão, é constituído quer pela psicanálise quer pelo irracionalismo moderno. Partiu-se de uma crítica, em si mesma legítima, contra o fetichismo da "razão" e do intelectualismo abstracto, contra as superestruturas do Eu consciente. Mas daqui passou-se de imediato de uma abertura do homem não em direcção ao alto mas em direcção ao baixo.
Contra o "racional", fez-se valer o simples irracional, a "vida"; contra o consciente, o inconsciente, e apenas nele se quis ver a verdadeira força motriz da psique.
Assim, também neste domínio o resultado foi uma regressão, uma translação do centro de gravidade humano em direcção ao baixo. A causa é análoga à indicada no campo político-social: pro¬cedeu-se como se fora do "racional" e das suas eventuais prevaricações existisse apenas o sub-racional (o inconsciente, o vital, o instintivo, etc.) e não também o supra- racional: o supra-racional, atestado por tudo aquilo que na história das civilizações se ligou à verdadeira grandeza humana.

Poder-se-iam desenvolver considerações análogas para indicar outros paralelismos, em relação a ulteriores fenómenos culturais contemporâneos - por exemplo, em relação ao existencialismo e a muitas variedades do chamado neo-espiritualismo. Não podemos debruçar-nos sobre isto.
Basta ter mostrado brevemente a idêntica tendência de todo um grupo de fenómenos e o que, infelizmente, estes com a sua presença, que sinaliza a natureza dos tempos, indicam: a inexistência, hoje, de quem tenha as posições e saiba agir não a partir do baixo mas do alto, em todos os domínios.

Julius Evola

Capítulo II do livro Ricognizioni: Uomini e Problemi

Nota: Este texto foi editado no Boletin Evoliano  nr. 12 (2ª série) e pode ser descarregado aqui

¿CUÁNDO SE PRODUCIRÁ EL GRAN DESPERTAR?




29 aprile 2017 Milano p.le SS. Nereo e Achilleo.
Manifestazione "Noi non dimentichiamo" in ricordo di Sergio Ramelli, Carlo Borsani ed Enrico Pedenovi.
IL FINALE DELLA MANIFESTAZIONE: La Compagnia dell'Anello esegue "Il domani apparteine a noi".



Para respirar alejándonos de los ridículos miasmas de la politiquería, quisiera referirme a un mensaje que me envía un lector de La Nouvelle Revue d’Histoire. Un lector descontento, debo precisar.
Tiene 21 años y estudios científicos. Vive en el gran París periférico. Ha reaccionado ante la lectura de nuestro reciente dossier «Las derechas radicales en Europa».

Me reprocha que, en mi editorial, no haya respondido a la pregunta «¿Que hacer?». Subraya mis distancias respecto a la acción política, y destacando que yo hablo de «solución espiritual», me dice en sustancia: «Vale, muy bien, pero todo eso no me dice nada acerca de cómo reaccionar ante la decadencia europea».
No creo traicionar ningún secreto si reproduzco mi respuesta, que resume hondamente mi modo de ver. Es la siguiente:

«No espere de mí recetas para la acción. Espere de mí que le diga cuál es la vocación de su generación. Si desea comprometerse en la acción política, comprométase, pero a sabiendas de que la política tiene sus propias reglas que no son las de la ética. 
Cualquiera que sea su acción y su propia existencia, es vital que cada día cultive en sí mismo, como una invocación inaugural, algo que debe convertirse, por repetición, en una fe indestructible. Una fe indestructible en el futuro europeo más allá del periodo actual. 

»Pienso a menudo en la desesperación de Simaco, denominado “el último romano”, uno de nuestros antepasados espirituales. Me he referido a este personaje bien conocido en mi libro Histoire et tradition des Européens)[Historia Y Tradición de Los Europeos]. 
Simaco, gran aristócrata romano, vivió a finales del siglo IV, época siniestra donde las haya. Murió como testigo desesperado del fin de la antigua romanidad. 
Ignoraba que el espíritu de Roma, heredero a su vez del helenismo, renacería ulteriormente y de forma perpetua en nuevas formas. Ignoraba que el alma europea, o, con otra palabras, el espíritu de la Ilíada, es eterno a escala humana (que no es desde luego la de la física de los astros). 

«Nosotros que conocemos la historia acontecida en algunos miles de años y la exploramos con la mirada interrogadora que podía ser la de Simaco, sabemos lo que él ignoraba. 
Sabemos que, como individuos, somos mortales, pero que el espíritu de nuestro espíritu es indestructible, al igual que el de todos los grandes pueblos y de todas las grandes civilizaciones. 
Por las razones que he explicado a menudo (y a consecuencia del Siglo de 1914), lo que está adormecido no es sólo la Europa del poder. Es ante todo el alma europea la que está adormecida. ¿Cuándo se producirá el gran despertar? Lo ignoro y, desde luego, yo no lo veré. Pero de este despertar no dudo ni un solo segundo. 
El espíritu de la Ilíada es como un inagotable río subterráneo que siempre renace. Porque ello es cierto, pero invisible, es necesario repetirlo noche y día. Y este secreto (la eternidad del espíritu de la Ilíada) nadie podrá nunca robárnoslo.» 

DOMINIQUE VENNER

A etapa tradicionalista de Evola: Influencias


 A fase já meramente Tradicionalista de Julius Evola, a fase final após passar através as anteriores - a vanguardista e a filosófica (1) - que poderíamos considerar como preparatórias desta, abarca desde o início da década dos anos 30, até á morte do nosso grande intérprete da Tradição, em 11 de junho de 1974.

A configuração final da cosmovisão de mundo tradicional do mestre romano, tem influências definitivas, de forma especial, em três autores: René Guénon, J.J. Bachofen e Hermann Wirth.

Do Francês Guénon, Evola faz sua a caracterização de duas categorias existenciais e vitais, as que em diferentes épocas o homem tem aderido, que são 'O Mundo da Tradição' e 'O Mundo Moderno'.
A visão do mundo e da existência, é próprio de cada um delas e tornar-se-á o eixo a partir do qual o mestre italiano fará girar os vários estudos que realizou ao longo destas quatro últimas décadas e meia da sua vida.

A antítese representada, de um lado, por um tipo de homem ( O Homem da Tradição (1) ),  que consagra toda a sua existência e que o faz dentro das comunidades que fazem o mesmo (Mundo Tradicional) e, por outro lado, por outro tipo de homem (o homem moderno), assim como por outro tipo de sociedade cujos laços com Alto estão quebrados, e cujos integrantes são forçados ao mais rude materialismo (mundo moderno), irá fornecer, como antítese, a Evola as chaves definitivas para ajustar o foco de todas as suas análises e estudos.

Do Suiço J.J. Bachofen retirará bastante dos seus trabalhos sobre a morfologia dos dois tipos de culturas e civilizações antagónicas que foram sucedendo ao longo da história da humanidade: umas de tipo patriarcal, que entende do aristocrático, do diferenciado, da forma, e  do hierárquico, e de um tipo de espiritualidade viril, apolínea, solar e Olímpica. e outras, por outro lado, de tipo matriarcal que entende do ginecocrático, igualitário, do promíscuo e indiferenciado, e dos cultos de carácter telúrico, ctonio e Lunar.

Deve-se, em outros assuntos, assinalar que o autor suíço adquire o direito de um certo evolucionismo que Evola não compartilha, pois situa as origens do discurso humano pelo tempo, as sociedades de carácter matriarcal que tinham sido, felizmente em determinados períodos, substituídas - num sentido evolutivo – por outras de carácter patriarcal, quando, contrariamente a esta abordagem, o mestre italiano situa as origens (e de acordo com as diferentes tradições e textos sacro-sapientes) das comunidades patriarcais (na Idade do Ouro ou Satya-yuga) e, posteriormente a estas - como resultado de um processo involutivo, de queda - das sociedades de natureza matriarcal.

Do Holandês Hermann Wirth, Evola mostra muito interesse pelas suas investigações arqueológicas, já que através das constatações efectuadas pelo pesquisador holandês (em que o elemento rúnico não é exactamente trivial) se demonstre que, embora a origem dos povos Indo-Europeus esteja localizado na cultura escandinava Ertebolle-Ellenberk, estes povos são os herdeiros de outros proto-indoeuropeus cujas origens remontam ainda  mais a norte.

É assim que Evola reverte o seu lugar original para os míticos (2) Thule ou Hiperbórea da tradição greco-romana, a Aryanem Vaejo do Avesta iraniano ou a esse Monte Meru que falam os Vedas ... a essa terra que teria estado localizada na latitudes mais setentrionais do planeta, e em que teria acontecido a Idade de Ouro ou Satya-yuga (ou Satya-yuga): a Tradição Primordial.

As contribuições desses três autores, são capitais pata o mestre romano na hora do seu desenvolvimento de uma metafísica da história, de uma morfologia do Mundo da Tradição e do mundo moderno.

NOTAS:
• Algumas das principais características que definem este tipo de homem podem ser lidas no nosso livro “El Hombre de la Tradición” (Editorial EAS).
• “La etapa filosófica de Evola: influencias”:
https://septentrionis.wordpress.com/2017/07/21/la-etapa-filosofica-de-evola-influencias/
• O carácter mítico desse lugar originário da Idade de Ouro, seguramente se reveste de um carácter também real, como por exemplo, pensamos que é demonstrado pela leitura do trabalho do autor indiano Bal Gangadhar Tilak “El hogar ártico de los Vedas” (Editorial Retorno).

Autor: Eduard Alcántara
Traduzido de:
https://septentrionis.wordpress.com/2017/07/25/la-etapa-tradicionalista-de-evola-influencias/

Julius Evola: Presente

A 11 de Junho de 1974 falecia Julius Evola na sua residência romana de Corso Vittorio Emanuele.
No 43º aniversário do dito óbito não podíamos permanecer em silêncio, pois o legado que nos deixou o mestre e grande intérprete da Tradição não tem comparação possível.
Poderíamos comentar detalhes no mínimo incríveis do seu post mortem que seguramente nos fariam pensar que o de Evola não se tratou meramente das inestimáveis doutrinas que nos fez chegar mas que inclusivamente operou uma transformação interior que o tornou ontologicamente partícipe da Tradição Viva.

Ninguém como Evola sustentou a certeza inerente à Tradição de que não existem fatalismos contra os quais um tipo de homem diferenciado não possa lutar para reverter a deletéria prostração a que nos conduziu o mundo moderno".

Ninguém como Evola nos soube mostrar onde se encontram as incorruptas trincheiras da Frente da Tradição pois ninguém como ele as limpou tão bem das escórias da modernidade mais descaradamente materialista ou então das pseudo-espiritualidades que se esforçam por aturdir e confundir aqueles que sentem a chamada da Tradição e a luta, interna e externa, contra o Mundo Moderno.

Ninguém como ele nos colocou no caminho certo.

Ninguém como ele nos deu certeza e luz... a Luz do Norte!

Excertos do editorial escrito por Eduard Alcantara no Boletim Evoliano nr 10 e 11 (2ª serie)
Descarregue o Boletim e leia o artigo aqui


Algo invulgar: o prof. Robert Faurisson move um processo contra os seus difamadores

Desta vez, e para variar, o prof. Robert Faurisson moveu ele mesmo um processo contra os seus difamadores.
É claro, que como sabem todos os conhecedores do teatro de sombras e fantoches do "Holocausto", o processo será perdido.
No entanto, neste pequeno vídeo filmado á porta do tribunal, são excelentes as descrições do que se passa na sala de audiências, eloquentes e instrutivas.




Aproveitamos para acrescentar alguns links relativos ao prof. Robert Faurisson, para quem ainda não os conheça:

Blogue:
http://robertfaurisson.blogspot.pt/

Vídeo «Robert Faurisson - Un Homme»:



Vídeo «Le Problème des chambres à gaz»:



Entrevistas sobre o revisionismo literário de RF, incluindo a sua magnífica decifração do soneto «Voyelles» de Rimbaud:
https://www.dailymotion.com/mereedrante

Aniversário do nascimento de Julius Evola

Hoje celebra-se o aniversário do nascimento de Julius Evola (19-Maio-1898).

Filósofo, escritor metapolítico e um dos mestres da Cultura e Tradição Europeias, foi um defensor do tradicionalismo, com uma visão "ascendente" ou continuamente melhor para a sociedade.

A nossa melhor homenagem, é nunca esquecer:

"Uma única coisa deve importar ao Homem: permanecer de pé entre as ruínas"
Julius Evola
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